terça-feira, 30 de março de 2010

A ética, a tomada de consciência e os modelos de consumo

"Então tudo é incluído no poder,
O poder se faz vontade, a vontade se faz apetite;
E o apetite, um lobo universal
E acaba devorando a si mesmo"

(Shakespeare)


A humanidade está ciente de que, à longa data, enfrentamos uma crise ambiental e, sobretudo, social. Apesar de a situação ser lastimavelmente crítica, ainda há solução. Ou seja, afirmo com bom senso que ainda há cura para esta doença degenerativa, que senão tratada brevemente, continuará tomando proporções gigantescas, quiçá irreversíveis.

A partir de uma visão histórica, vê-se mais do que concreta a colocação de Heráclito “tudo flui”. A sociedade moderna é oriunda da resultante de diversos modelos econômicos e políticos, os quais foram se fortalecendo e resistindo até então. Porém, recentemente, toda essa onipotência está sendo posta à prova. Diante deste cenário, nada mais coerente do que nos questionarmos e nos posicionarmos para, quem sabe, avançar mais uma etapa na história mundial. Se faço tais considerações referentes à economia global, é devido a influência que a mesma possui no âmbito social. Como dizia Marx, a superestrutura (sociedade) é determinada pela infra-estrutura (economia), a qual define um rumo aos indivíduos.

Coexistente à questão social, têm-se a questão ecológica. Desde que o homem passou a ter uma relação de exploração para com a natureza, fez-se a catástrofe. Daí então, juntamente aos problemas ambientais , cresceram as disparidades sociais devido às intenções gananciosas e sempre lucrativas. O estopim foi o dado momento em que o homem viu-se como um ser a parte da natureza, e não como integrante da mesma. Logo, o ser humano passou a negar o compromisso e a responsabilidade de um convívio harmônico e de intercâmbio sadio com o meio ambiente. Enfim, o caos ambiental mostrou-se vigente!

Na verdade, é impressionante como a ambição, essa característica inerente a humanidade, sempre chega as suas limitações e próprias contradições. Tornando-se o próprio monstro destrutivo de tudo aquilo que, anteriormente, buscou construir. Hoje, o mundo pede socorro de todas as formas, e apenas nós temos o poder, o direito e o dever de reverter o quadro. Valendo salientar que medidas paliativas e curativos superficiais não serão o suficiente. É necessária a revisão de todo o sistema, não que isso seja fácil ou instantâneo. Justamente o contrário, o processo é lento e a conscientização geral, mais ainda. No entanto, é a hora de “findar o início”. E sim, é possível!

3 comentários:

  1. \o/\o/\o/ Até que fim uma produção intelectual sua não é...era isso que estava esperando neste espaço!!!Ótimo texto,muito bem desenvolvido no estilo Renata Calazans!

    Não obstante, acredito que, como você utilizou-se de um pensamento marxista, enfocando que a sociedade é determinada pela economia, senti falta de uma crítica direta ao sistema econômico atual, entende COMPANHEIRA?!

    Ao partir da premissa que a economia é que define o rumo dos indivíduos, acredito que seria mais coerente defender a mudança do estilo sócio-econômico ora vivido (se é que há possibilidades para tanto...) Logo, coexistente com a questão ecológica, há a questão econômica, e não social!

    Saudações socialistas!!!Ei, e a pergunta que não quer calar: "vale a pena ser comunista?"

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  2. Bem, COMPANHEIRO, foi mais ou menos isso que tentei expor. Talvez, "I'm failed" (rsrs)

    Ora, se a questão ecológica coexiste à econômica -da mesma forma- vê-se inclusa a questão social, visto que a mesma é indissociável à economia.

    E, em relação a essa pergunta... Sim, eu acho que AINDA vale a pena... Razões e argumentos? Acho que no próximo post...

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  3. Sim, Renata. De fato, há séculos se arrastam as discussões entorno da ascensão do mundo capitalista e sua prática indesejável para alguns olhos. E o Marx soube se utilizar MUITO BEM de uma discussão antiga da dialética( vide Heráclito na Antiguidade; Hegel, no final do Século XVIII e boquinha do XIX)aliado ao Materialismo Histórico para tangenciar o fracasso do sistema capitalista.

    Tanto a Questão Social quanto à Ecológica recebem os fortes impactos da camada econômica. Veja, por exemplo, que as contradições capitalistas são produzidas dentro de seu próprio meio, eles carregam o lobo para junto das ovelhas. Prova maior dessa contradição é como eles se organizam na campanha "SALVE O MEIO-AMBIENTE". Um bom exemplo é a indústria de automóveis: alimentam a ideía de novos ares, cidades mais limpas e fluentes, mas acelerando sua produção de carros com combustíveis menos poluentes, carros menosres, etc...OU SEJA, nos contaminam com paliativos e se reorganizam em suas contradições.

    Enquanto não cortamos o "mal" pela raíz(nossa, que dualismo antigo), continuaremos não somente com problemas ambientais, mas com os sociais também, que aparecem de brinde nas jornadas exaustiva do trabalhador que produz os novos carros confortáveis, mas fica HORAS em PÉ num Barro/Macaxeira, para chegar salvo em casa.

    É uma grande ciclo....E a discussão se estende!!!

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